Dia 09 de setembro de 2010

   
 

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+ A Acerj dos anos 70 - por Marcos Eduardo Neves

Repórter do Jornal do Brasil

 

A retomada da transparência, aliada à proba figura de Eraldo Leite, faz com que vários ex-presidentes da Acerj hoje acreditem na redenção da entidade, uma das principais do jornalismo esportivo nacional. Presidente da Associação na década 1970, Luiz Mendes, lenda viva do jornalismo brasileiro, é um deles. O "comentarista da palavra fácil" recorda com agradável saudade algumas das inovações criadas por sua chapa ao longo dos dois anos em que esteve no comando.

- Resolvemos criar um ambulatório, para dar assistência aos associados. Muitas famílias de jornalistas do interior vinham nos procurar nas sucursais de Barra Mansa e Campos. Fora isso, conseguimos também algumas bolsas de estudos para os filhos dos cronistas, que passaram a integrar a Universidade Gama Filho.

A receita que entrava na Associação era fruto de míseros 0,5% dos ingressos e da contribuição dos sócios, em sua maioria inadimplentes. Contando com o quadro de apenas três funcionários, o então presidente rememora as dificuldades por que passou, além da ajuda prestada aos empregados da entidade.

- Depois da Copa de 1974 os estádios esvaziaram, como acontece sempre que o Brasil perde a Copa. Cheguei a tirar do próprio bolso para que o salário dos funcionários não atrasasse. Ao menos, o IPTU da sede sempre esteve em dia.

Sem conseguir conciliar rádio, televisão e a presidência, Luiz Mendes não se candidatou à eleição seguinte.

- Saí de maneira limpa. Hoje ouço que as coisas não estavam muito bem por lá. Pelo que conversei com o Eraldo, ele pretende reativar esses auxílios que criei. Espero que tenha muito sucesso.

Outro ex-presidente que acredita que a Nova Acerj terá êxito em sua gestão é Lóris Baena. Ele presidiu a entidade por seis meses, entre 1975 e 1976. Na sua gestão, encontrou a sede, como costuma dizer, "estragada". Com a ajuda de dois amigos, Benicio Ferreira Filho, ex-vice de futebol do Fluminense, e Tadeu Macedo, diretor do Vasco que era dono de hotéis, conseguiu verba para reformar o espaço localizado na Rua Quitanda. Devolveu, assim, dignidade ao local.

- Fiz o que pude. Organizei a nossa secretaria, exigi que a diretoria e outros poderes transformassem em atas todas as decisões, o que não acontecia.

Foi na sua gestão também que a Acerj passou a contar com uma colônia de férias na Citrolândia, distrito de Magé.

- Quem nos deu o terreno foi o João Citro, grande benemérito do Botafogo. Os associados podiam passar dias lá. Havia em oito apartamentos, salão grande, copa, cozinha imensa, tudo.

Assim como um terreno no Caju, onde será levantado um mausoléu destinado a jornalistas esportivos que venham a falecer, é pretensão de Eraldo Leite retomar o terreno da colônia de férias na Justiça, já que o local, cerca de 10 anos depois da saída de Lóris, foi invadido.

- Achei estupenda a chegada do Eraldo à presidência. Trata-se de um homem de caráter, trabalhador, que assume a responsabilidade e é bem quisto na classe. Achei uma medida absolutamente salvadora.

Ainda nos anos 70, Roberto Garófalo, que trabalhou com diversos presidentes, comandou a Acerj. Na época, iniciou um movimento idêntico a que está sendo realizado agora.

- Havia no corpo de associados muita gente que não trabalhava mais ou que jamais trabalhou com jornalismo esportivo. Juntamos a turma que estava na ativa e saneamos o quadro.

Com a experiência de ter sido diretor de promoções do O Globo, Garófalo inovou em outras frentes também.

- Criamos a festa de Papai Noel, quando, no Natal, distribuíamos presentes aos associados. Isso ocorreu em vários locais. O ápice foi uma tarde inteira no Tívoli, aquele parque de diversões da Lagoa. Os filhos dos associados tinham direito a lanche; foi tudo muito bacana.

A gestão de Garófalo não parou por aí.

- Não havia credenciamento do interior, e nós o fizemos. Numa segunda etapa, credenciamos o Maracanã.

No então maior estádio do mundo, outra jogada de alta categoria.

- Temos, por lei, o primeiro domingo de março. Assim, fizemos um jogo entre cariocas contra paulistas, com Sócrates de capitão do time de São Paulo e o Zico como o grande astro da equipe do Rio. Vendemos o jogo para a Rede Globo, ampliando o fundo de caixa da Acerj. Achei que foi um marco na minha passagem.

Houve outros, no entanto.

- Fizemos um auxílio de três meses para os associados desempregados. Ajudávamos com um salário, na expectativa de que durante o período a pessoa se reintegrasse ao mercado. Isso também teve uma repercussão muito boa.

Novamente contando com o apoio do maior artilheiro do Flamengo, Garófalo e sua equipe impetraram uma medida que vigora até hoje.

- Decidimos que os estádios disponíveis para o Campeonato Carioca teriam de ter vestiários dignos e tribuna de imprensa para nós trabalharmos. Só o do Vasco tinha, naqueles idos. Em conjunto com o Zico, vistoriamos tudo. Ele decidia quais vestiários eram aceitáveis e nós resolvemos que os clubes só mandariam seus jogos num palco em que houvesse tribuna para acolher a nossa classe.

Até bater de frente com o Rei, Garófalo bateu.

-Não me lembro depois de que Copa do Mundo o Pelé se tornou comentarista. Não o credenciamos, porém. Entramos na ocasião com uma ação contra a Rede Globo, por acharmos que ele estava tirando lugar de alguém formado. Com essa bandeira, deixamos claro que ex-jogador só seria aceito caso se registrasse. E o primeiro a fazer isso, junto ao Ministério do Trabalho, que emitiu carta o autorizando a exercer a profissão, foi o Capitão do Tri, o Carlos Alberto Torres. Até mesmo o Francisco Horta, depois de sua gestão no Fluminense, não pôde comentar. Ele aceitou com a maior classe. Disse a ele que ele seguramente não gostaria que entrássemos na sua Vara de Execução Penal (Horta era Juiz de Direito) para despachar por ele. Aos poucos, todos começaram a agir pelas vias legais. Tanto que hoje o Canhotinha Gerson, entre outros, é registrado. Ficou tudo nos conformes.

 
 
 
 
 

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