DECISÃO DE DIRETORIA

Foi apresentada à ACERJ pelo associado Venelouis Casagrande Faitanin Xavier (associado nº 5350) uma representação contra Gabriel Kagan Reis (associado nº 2427) e contra Gustavo Henrique Souza Aguiar (associado nº 2589). Na queixa, Venelouis acusa Gabriel Reis e Gustavo Henrique de faltar com a ética, proferir ofensas e incitar torcedores do Flamengo contra ele pelo fato de publicar uma notícia que revelava os planos do técnico do Flamengo para um jogo do Campeonato Brasileiro. Para tal, o representante (Venelouis) apresenta como provas textos e vídeos colhidos da internet.

A Diretoria da ACERJ convocou sua Comissão de Ética, composta por nove membros, todos jornalistas experientes e com destacada atuação no jornalismo esportivo há muitos anos, para analisar os fatos apresentados. Foi dado aos representados – Gabriel e Gustavo – o direito de defesa, que fizeram por escrito.

Em vista dos relatos e das análises feitas pela Comissão de Ética, a Diretoria da ACERJ apresenta sua posição, à luz de seu Estatuto Social e do código de ética do jornalismo:

1 – O associado da ACERJ deve conhecer as regras do Estatuto, que reza, em seu artigo 2º, incisos III e IV, que a Entidade deve “resguardar o decoro profissional dos associados…” e “incentivar a cordialidade da classe entre eles”. Assim também o artigo 5º diz que entre os deveres dos associados está “relacionar-se respeitosamente com sócios e visitantes” (inciso IV). Em mais um item, não pode passar despercebido que a ACERJ deve: “Empenhar-se na defesa de seus associados, quando ocorrem pressões ou transgressões ao livre exercício de suas atividades profissionais” (capítulo 2, inciso II).

2 – Na ética profissional de nossa categoria, “o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”. (Código de Ética da ABI, art. 7º).

3 – Em sua defesa, os aqui representados argumentam – e apresentam como provas documentos em textos e vídeos – que também já sofreram ataques do, ora, representante. Percebe-se que as infrações à ética e ao Estatuto vão de um lado a outro.

A ACERJ não quer se fazer de inspetora de uma briga de alunos na porta do colégio. Para rusgas pessoais existe a justiça comum com juízes togados para tomar decisões. A nós importa o zelo pelo decoro, a manutenção da ordem e do direito à informação apurada e verdadeira, a conduta ética e profissional daqueles que exercem o jornalismo e desejam ostentar uma credencial da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, entidade que tem 103 anos de existência e é respeitada e reconhecida por todas as instituições esportivas do País.

A informação de um jornalista/radialista não pode ser subserviente ao interesse de um clube, de um jogador, de um dirigente de futebol e não deve, se verdadeira, ser contestada por outro jornalista/radialista, a não ser por mera questão de opinião.

Com base no Estatuto Social da ACERJ, em seu capitulo III, artigo 6º, a Diretoria resolve:

a) Aplicar suspensão de 30 dias a Gabriel Kagan Reis (por ser reincidente específico);

b) Aplicar advertência a Gustavo Henrique Souza Aguiar;

c) Convidar Venê Casagrande a tomar ciência da defesa dos representados, na qual sua conduta também é questionada para que, igualmente, esteja em consonância com os procedimentos éticos e normas estatutárias da ACERJ.

Cumpra-se.

Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2020

Diretoria da ACERJ