Evaristo, ídolo no Brasil e na Espanha

Por José Rezende

Ao completar 84 anos hoje, 22 de junho de 2017, Evaristo de Macedo Filho tem muito para contar sobre sua brilhante carreira. O adolescente que chegara ao Madureira, levado por um amigo, lá pelos idos de 1950, com certeza não imaginava conquistar os corações dos torcedores do Flamengo, Barcelona e Real Madrid.

Em outubro de 1952, Evaristo deixava o Madureira e assinava contrato com o Flamengo:

No Madureira, onde começou a carreira, Evaristo no time juvenil.

“Quando cheguei ao Flamengo, o técnico era o Flávio Costa, que foi substituído por Fleitas Solich. No campeonato carioca de 1955, eu já tinha uma posição assegurada como titular.”

A melhor de três com o América que decidiu o título carioca de 1955 foi um dos momentos marcantes na carreira de Evaristo:

“O primeiro jogo da decisão de 55, nós ganhamos por 1 a 0 e eu fiz o gol no último minuto. Eu dei um chutão lá de longe e ganhamos. No 2o jogo, perdemos de 5 a 1, um resultado surpreendente. Na final, o Dida entrou e eu fui deslocado para centroavante. Naquele dia, a linha foi Joel, Duca, Evaristo, Dida e Zagalo. Nós vencemos por 4 a 1. Dida fez 3 gols e eu fiz 1.”

Evaristo recebe o abraço de Fleitas Solich, após a vitória por 1 a 0 sobre o América, na primeira partida da melhor de três que decidiu o campeonato carioca de 1955. Evaristo foi o autor do gol. O Flamengo conquistou o tricampeonato.

No sul-americano de 57, em Lima, Evaristo fez 5 gols pela seleção brasileira contra a Colômbia, recorde até hoje não superado. Na capital peruana, ele acertou sua ida para a Espanha:

“O Barcelona me contratou, em Lima, através de seu diretor de futebol. Ele me procurou e disse que o Barcelona estava interessado em levar um atacante. Aceitei a proposta e fui. No primeiro ano eu era o único brasileiro na Espanha”.

Evaristo deixou o clube e para jogar no grande rival Real Madrid:

“Já estava há cinco anos no Barcelona. Da metade de 57 a 62, fomos tricampeões da Copa da UEFA, bicampeões da Espanha, campeões das Copas e fui sempre o artilheiro da equipe.

 A Federação Espanhola queria que eu me naturalizasse para jogar na Copa do Mundo de 62, no Chile. Mas, eu não tenho descendência espanhola, minha descendência é portuguesa por parte de meus avós. Eu não quis e isso causou um pouco de mal estar no Barcelona.

 A negociação com o Real Madrid foi direta comigo. Dariam o que o Barcelona me oferecesse sem a obrigação de me nacionalizar espanhol. Fui ao Barcelona e comuniquei a proposta do Real Madrid, sem citar o nome do clube. Terminado meu contrato fui embora.”

Evaristo com as faixas referentes às conquistas no Barcelona e no Real Madrid.

Evaristo recebeu muitas honrarias pelas brilhantes atuações no futebol espanhol e sua presença é sempre lembrada:

“Faço parte das Associações dos ex- jogadores do Barcelona e do Real Madrid. Quando o Barcelona fez 100 anos, eu fui objeto de uma homenagem muito bonita. Eles fizeram um programa de televisão e me deram um vídeo com gols que eu fiz. A festa foi muito bonita e fui o primeiro a ser chamado”.

Em nome da ACERJ desejamos a Evaristo tudo de bom, agradecendo as belas atuações com a camisa do Flamengo e na seleção brasileira. Parabéns, Evaristo de Macedo Filho!