Lido com Esporte: O Drible

Por Marcos Eduardo Neves

É deveras complicado para um escritor, quando em pleno exercício de sua função, encontrar tempo para ler outras obras. Já brinquei várias vezes com amigos, “Estou tão sem tempo, que torço para contrair algum problema que me leve ao hospital por duas ou três semanas; aí, sim, vou conseguir colocar em dia os livros que me esperam à cabeceira”.

Dessa vez houve quase isso. Precisei viajar na semana passada e adoeci – ainda que de leve, ontem. Como consequência, pude saborear uma obra excepcional.

Chama-se “O Drible”. O livro de Sérgio Rodrigues faz jus a tudo o que se tem dito sobre ele na mídia. É um romance que traz como pano de fundo – e fundo das redes que amarram o leitor – o futebol. Peralvo é o nome de um craque fictício que desbancaria Pelé, caso não fosse vítima de… quer saber mais? Compre o livro.

Confesso que tremi na base ao fim do texto. Fui driblado várias vezes quando imaginei que, ao melhor estilo Rolando Lero, “captei a vossa mensagem”, já sei o que me espera no final. Ledo engano. O final é surpreendente. Se com João Ubaldo em “A Casa dos Budas Ditosos” tive ereções em vários parágrafos, dessa vez senti calafrio. Meu Deus, que final! Que livro, aliás. Misticismo, cultura pop, conflitantes relações familiares, tudo é com maestria trabalhado pelo rodriguiano Sérgio.

Não é um livro de futebol, reforço. É um romance, mas um baita de um romance. Não li todos já publicados no nosso país, mas posso afirmar, sem medo de errar, que “O Drible” é o melhor romance contemporâneo que gira em torno de um jogador de futebol e seus bastidores. É livro imperdível. Não à toa, foi editado pela Companhia das Letras. Endosso melhor, impossível.

 

O Drible