Serrano x América: exemplo de futebol raiz na Série B do Rio

Reportagem do Diretor Financeiro da Acerj, Sílvio Barsetti, para o site Terra.

A rivalidade extrema provoca muitas vezes cenas de terror no espaço destinado a jogos de futebol. Confrontos entre torcidas se acentuam no País e o número de tragédias aumenta a cada mês nos estádios e seus entornos. Mas nem tudo está perdido. No domingo (30), torcedores do Serrano e do América deram um exemplo de civilidade e harmonia na partida que reuniu as duas equipes, então na liderança de seus respectivos grupos do Campeonato Carioca da Segunda Divisão.

Os times se enfrentaram em Petrópolis, região serrana do Rio, e os donos da casa venceram por 1 a 0, gol de Kauer.

Torcedores do América e do Serrano confraternizam antes da partida
Foto: Silvio Barsetti / Especial para Terra

Nada que impedisse a confraternização entre os que vestiam o azul do Serrano ou a camisa rubra do tradicional clube de Lamartine Babo. No pátio do Estádio Atílio Marotti, as rodas de conversa misturavam as duas cores antes, durante e após o jogo. Ali, até mesmo o presidente do Serrano, Alexandre Beck, teve de entrar na fila para comprar cerveja artesanal, enquanto uma dupla de torcedores do Serrano, Pablo e Bernardo, sob um toldo improvisado, cantava e tocava músicas pop e rock’n’rolll.

Os dois exibiam suas camisas oficiais do Serrano e recebiam aplausos de quem parava para vê-los, mesmo que vestidos de vermelho. Às vezes, entre uma e outra canção, entoavam gritos de guerra pelo time de coração. Mas, em seguida, como bom anfitriões, repetiam o gesto para enaltecer o visitante, o América.

No quiosque oficial do Serrano, também localizado na área livre do estádio, entre o bar e o portão de acesso, era comum ver torcedores do América comprando bonés e camisas do Serrano. Impossível imaginar algo semelhante num Fla-Flu, num Gre-Nal, numa partida entre Cruzeiro e Atlético-MG, em um clássico paulista, em qualquer jogo de todas as quatro divisões do Brasileiro.

“Não se vê isso em lugar nenhum. A gente está se sentindo em casa”, comentou Paulo Delaunay, torcedor do América, que conversava com o filho do presidente do Serrano. “Temos essa característica, de saber receber, de preservar um convívio saudável”, reforçou o rapaz, Alexandre Beck Jr.

Já com a bola rolando, as duas torcidas – eram mais de 900 – se postaram em locais diferentes. Sem nenhuma provocação entre ambas ao longo da partida. A descontração era tanta que nem arbitragem e PM perceberam quando um torcedor do América, Elton Messeder, passou por um buraco no alambrado e ficou assistindo ao jogo por alguns minutos, com um copo de cerveja, atrás da baliza do goleiro do Serrano e ao lado de um gandula.